Artigo

Concurseiro versus Aventureiro

A maioria das pessoas acredita é que para estudar para um concurso é preciso ter um edital aberto. Ledo engano!

Janaína Arruda
Publicado em 23/05/2019, às 10h55

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Geralmente, o que a maioria das pessoas acredita é que para estudar para um concurso é preciso ter um edital aberto. Ledo engano. Os chamados “concurseiros” são aqueles que estão se preparando mesmo que o edital para o concurso que desejam não esteja aberto. Vale lembrar que muita gente só começa a estudar quando sai um edital, são os “aventureiros” que acreditam que em algumas semanas terão o conteúdo dominado na íntegra, mais um engano.

Uma boa preparação precisa de planejamento. Isso quer dizer que será necessária uma rotina de estudos pautada nas disciplinas que contemplem a área escolhida. Essa preparação começa antes mesmo da abertura de qualquer edital, pois investir em estudo requer tempo e dedicação.

Organizar uma agenda semanal pode ser uma boa estratégia. A cada dia da semana, duas disciplinas podem ser estudadas, em períodos diferentes. Vale dar uma atenção especial às chamadas disciplinas básicas (português, matemática, informática), pois elas são imprescindíveis para um bom resultado. O domingo pode ficar reservado para a aplicação de simulados, pois essa é a maneira mais eficaz de mensurar o que foi apreendido até então. Você deve estar se perguntando: não terei folga nenhum dia? E a resposta é um sonoro: Não!

A dedicação inclui abdicar do chamado “descanso”, afinal comprometimento com o concurso é uma das primeiras escolhas que faz um concurseiro de verdade. Direcionar a atenção e todo o tempo possível para a preparação é o diferencial entre a aprovação ou não na carreira pública.

Um concurso que está em pauta nesses últimos meses é o do INSS. Esse concurso sempre chama a atenção de muita gente pela quantidade de vagas que são lançadas. Não se preocupe com o QUANDO, preocupe-se com o ESTUDO. Se vai sair em breve ou não, isso é o de menos. O mais importante é: estarei preparado quando sair o edital?

A banca organizadora geralmente é a Cespe/UnB, o que deixa muita gente assustada, pois, com o seu perfil de anular um acerto a cada erro, essa banca vem tirando o sono de muita gente. Dentre os maiores temores estão as questões de direito previdenciário que farão certamente parte da prova. Ainda que a presença de 70 questões seja um tanto intimidadora (essa foi a quantidade no último concurso), é preciso não entrar em desespero e continuar a mensurar o tempo entre as diversas disciplinas que farão parte da prova.

Assim, ainda que você busque dar uma atenção especial ao direito previdenciário, lembre-se de que não só ele será o responsável por sua aprovação. Pode-se mencionar, como exemplo, que muitas vezes o candidato encontra dificuldade em compreender o que o enunciado está pedindo, isso em previdenciário, constitucional, informática, o que for. Tal dificuldade comprova que o problema nem sempre está associado com o conteúdo da disciplina, mas com a interpretação do enunciado, e todos sabem que problemas com a interpretação estão relacionados à língua portuguesa, logo, será indispensável voltar maior atenção a exercícios de interpretação. Mas só percebe isso quem se prepara de verdade.

Essas reflexões apenas atestam que a aprovação dependerá de uma gama de conhecimentos e não apenas do domínio de uma ou outra área. O candidato bem preparado e que provavelmente terá a sua aprovação está lendo esse texto como mais um motivador aos seus anseios, pronto para dar início a mais uma sessão de estudos; já o candidato aventureiro possivelmente terminará de ler esse texto, abrirá a aba de seu site de relacionamentos e perderá ali mais uma hora de sua vida esperando pela abertura de, quem sabe, um edital qualquer.

 

Janaina Arruda é professora de língua portuguesa no AlfaCon Concursos Públicos

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