Entrevista

Aprovado para analista do MP SP dá dicas para passar em concursos

Renan Crepaldi foi aprovado no concurso para analista jurídico do Ministério Público de São Paulo (MP SP)

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Estratégia Concursos
Publicado em 02/09/2019, às 15h33

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Ser aprovado em um concurso público não é uma tarefa fácil. Por isso, quem sonha em chegar lá um dia pode se preparar de forma segura se estiver baseado em fórmulas de estudo repassadas por quem já conseguiu conquistar a aprovação.

Confira a entrevista que o Estratégia Concursos realizou com Renan Crepaldi, aprovado no concurso para analista jurídico do Ministério Público de São Paulo (MP SP).

Estratégia Concursos: Você é formado em que área? Qual sua idade? De onde você é? 

Renan Crepaldi: Formado em Direito, concluindo o curso no ano de 2017. Tenho 26 anos. Sou da cidade de Bauru/SP.

EC: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?

RC: No meu primeiro concurso, aos 16 anos, para a escola preparatória de cadetes do exército, foi ter vislumbrado a possibilidade de atingir uma independência financeira tão cedo, de viver uma “aventura”, e de exercer uma profissão altamente relacionada a um sentimento de patriotismo e altruísmo. Posteriormente, já na faculdade, além de entender ser o concurso público uma excelente opção para atingir uma estabilidade financeira e ter uma boa remuneração, a vontade de exercer uma profissão na qual tivesse a chance de atuar de forma direta em prol da sociedade foi um fator preponderante. Poder exercer uma profissão que tem como finalidade, de forma geral, atender ao interesse público foi algo que sempre busquei.

EC: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava (como conciliava trabalho e estudos?), ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso? 

RC: Desde o término do ensino médio eu sempre trabalhei. Inicialmente, na iniciativa privada, depois um curto período de estágio em um escritório de advocacia e, por último, exerci por mais de 4 anos o cargo de Oficial Administrativo da Polícia Técnico-Científica do Estado de São Paulo, do qual pedi exoneração em janeiro desse ano. Via de regra, minha rotina sempre consistiu em acordar por volta das 5h da manhã, estudar por volta de 2h antes de ir trabalhar e entre 2h e 3h após o trabalho, além de aproveitar alguns intervalos durante o serviço, sobretudo, para resolução de questões. No último ano eu trabalhei em regime de plantão, então ainda tinha a oportunidade de ter alguns dias livres, nos quais estudava por volta de 6h. Atualmente estou conciliando os estudos com o exercício da advocacia.

EC: Em quais concursos já foi aprovado? Qual o último? Em qual cargo e em que colocação?

RC: Soldado PM e Oficial PM no ano de 2011 nas provas de conhecimento; Oficial Administrativo da Policia Científica/SP no ano de 2014 (cargo o qual exerci por mais de 4 anos); Analista Judiciário – Área Judiciária do Superior Tribunal Militar (STM) no ano de 2018; Agente de Telecomunicações Policiais da PC/SP no ano de 2018 e, por último, no concurso de Analista Jurídico do Ministério Público de São Paulo, em 2º Lugar, na região administrativa de Bauru/SP.

EC: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados/classificados(as)?

RC: A sensação que prepondera é a de felicidade e o sentimento de que todo esforço valeu a pena, e de que, em verdade, em face do benefício que representa uma aprovação, o esforço ainda foi pequeno, sendo válido muito mais.

EC: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?

RC: A postura que adotei foi mais próxima a uma posição radical, limitando minha vida social a poucas saídas, principalmente em períodos de edital em iminência e pós-edital. Privei-me de festas, de encontros com amigos, de aniversários e casamentos de familiares. Tal posição só foi possível por ter como namorada uma pessoa que compartilha dos mesmos objetivos que os meus. É de se destacar que sempre separei um tempo para dedicar-me a atividades físicas.

EC: Você é casado? Tem filhos? Namora? Mora com seus pais? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseiro? Se sim, de que forma? 

RC: Moro com meus pais, não tenho filhos e namoro. Sempre tive apoio de meus pais, financeiro e moral, em que pese, inicialmente, eles não compreenderem ao certo o nível de dedicação que deveria ser empregado nos estudos para uma aprovação em concurso público de alto nível. Mas com o tempo passaram a entender; por isso é importante que quem está estudando para concurso sempre transmita às pessoas com quem mora quais são as circunstâncias ideias para se ter um bom desempenho nos estudos.

No início do namoro, também tive certo problema quanto a falta de compreensão, todavia, com o passar do tempo minha namorada também passou a ser uma concurseira, assim, o solitário caminho dos estudos passou a ser mais leve, passando a ter o privilégio de não mais trilhá-lo sozinho.

EC: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior?

RC: Para quem está iniciando, com certeza! Não há motivo para desperdiçar uma boa oportunidade, até porque o ingresso em um cargo público pode servir para potencializar seus estudos para o cargo que almeja como fim. Se conseguir fazer isso já se alinhando ao objetivo final, melhor ainda. No meu caso, ainda não cheguei no meu concurso final, ainda sigo me preparando. Atualmente estudo com foco nas carreiras de Delegado e Promotor.

EC: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso em que foi aprovado? 

RC: Para o concurso de Analista Jurídico do MP/SP, de maneira direcionada e específica, foi a partir da publicação do edital. Mas venho construindo uma boa base de estudos desde o final do ano de 2016. Estava estudando com foco no concurso de Analista do MPU (o qual acabei nem fazendo), e foi aí que o Estratégia Concursos entrou na minha preparação.

EC: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?

RC: Sim. Realmente é mais difícil estudar sem ter um edital em iminência. O principal para manter a disciplina é estabelecer uma rotina e segui-la, sem ficar “pensando” muito, e manter sua atenção em executar as tarefas que você estabeleceu.

EC: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, telepresenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? O que funcionou melhor para você?

RC: De forma preponderante, o material que utilizei foram os PDF´s. Utilizei videoaulas e livros para esclarecimentos de pontos específicos.

EC: Uma das principais dificuldades de todo concursando é a quantidade de assuntos que deve ser memorizada. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos? Quantas horas por dia costumava estudar?

RC: Não estudei todo o conteúdo exigido no concurso do edital, com uma simples pesquisa de questões, e pelos próprios direcionamentos dos professores no material, você consegue enxergar que há assuntos de predilação pelas bancas, para passar dentro do número de vagas você não precisa acertar 100% das questões. Assim, o ideal é se dedicar aos pontos que mais caem, e não ficar perdendo tempo com temas que estatisticamente têm poucas chances de serem cobrados.

Via de regra, estudo 2 matérias por dia, divididas em blocos de 2 até 4h, isso dentro de um cronograma semanal ou quinzenal, abrangendo todas, ou quase todas as matérias do edital. A depender da fase de estudos, chego a estudar só 1 matéria por dia. Como o estudo para as carreiras jurídicas exige certa profundidade, não considero viável estudar mais do que 2 matérias por dia, e nem um tempo inferior a 1 ou 2 horas, pois esse tempo é insuficiente para se concluir o estudo da maioria dos tópicos.

Sempre fiz resumos a partir dos PDF´s. Faço resumo manuscrito e o mais sucinto possível, de forma que quando eu for revisar a aula, faça isso em um tempo muito curto. Ainda, sempre complemento os resumos com anotações advindas de questões. Isso é fundamental para aumentar o seu desempenho e a utilidade de seu resumo. Em um primeiro momento, foquei mais na leitura dos PDF´s e elaborações dos resumos, em um segundo momento, na realizações de questões e releitura dos resumos. Em média, estudo entre 4 e 6 horas por dia. Em períodos de edital aberto, um pouco mais que isso.

EC: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?

RC: No início dos estudos para analista, tinha dificuldade com português. A “técnica” utilizada para superar essa deficiência foi o estudo massivo da matéria e elaboração de muitas questões.

EC: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?

RC: Consegui tirar folga na semana que antecedeu a prova. Como já estava bem desgastado, não foi uma semana na qual tive um alto rendimento, então me concentrava em cumprir algumas metas diárias e depois descansava um pouco para tentar me recompor para a prova.

Na véspera da prova revi algumas questões importantes, mas com certa ponderação.

EC: No seu concurso, tivemos, além das provas objetivas, as provas discursivas. Como foi seu estudo para esta importante parte do certame? O que você aconselha?

RC: Como o tempo até a prova discursiva era curto, não fazia muito sentido tentar revisar o conteúdo do edital, porque isso não seria possível ser feito com qualidade, então, resolvi focar na resolução de questões dissertativas.

Quando me deparava com alguma questão a qual não era capaz de responder, voltava ao material nesse tópico em específico, e o lia.

Para uma boa prova dissertativa a preparação deve se iniciar bem antes do edital, começa com a aquisição de conhecimento necessário para te capacitar a dissertar de forma técnica sobre um assunto, e isso você não vai adquirir nos menos de 60 dias que comumente separam as provas objetivas das dissertativas. O período entre a prova objetiva e a dissertativa deve ser usado para aprimorar e treinar a escrita e lapidar o conhecimento com relação a pontos específicos.

EC: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS?

RC: Como maior erro aponto não ter procurado informações de como estudar em alta performace antes, de não ter me despertado para isso antes. Isso me fez andar em círculos por um tempo.

Como acerto posso indicar a resolução massiva de questões comentadas, e manter meu foco em cumprir as metas diárias, preocupar-me com o processo, e não com o resultado. Quando você passa a entender como estudar, e sabe que está dando o seu máximo, começa a entender que sua hora vai chegar, basta ter paciência e não se desviar do caminho.

EC: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?

RC: O mais difícil é lidar com as circunstâncias as quais não dependiam de mim, como, por exemplo, quando vai sair determinado concurso, se iria haver vagas, se o resultado iria demorar, se a correção seria justa e etc. Por mais que saibamos que nada podemos fazer com relação a isso, não há como simplesmente excluir essas circunstâncias da nossa realidade, é preciso conviver com isso.

No início da jornada não pensava em desistir, porque na minha inocente concepção nem teria motivos para pensar isso, já que uma hora iria passar. Com o passar do tempo, em alguns momentos já passou pela minha cabeça sim, mas acho que não de forma verdadeira. Por mais que pensasse isso, acho que jamais desistiria, quando você começa a ver que está começando a acertar as coisas, não da mais para parar, tem que ir até o fim.

EC: Qual foi sua principal motivação? 

RC: A principal motivação, a qual carrego desde a adolescência, é a de poder servir ao meu país, exercendo uma profissão que atue de maneira direta na sociedade, que atendo ao fim público, por isso sigo estudando.

Com o tempo e a maturidade, outros fatores vão se somando, quero ter uma boa remuneração e segurança, de forma a prover uma vida digna à minha família.

EC: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso. Deixe-nos sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!

RC: Inicialmente, entenda o que é estudar para concurso, entenda o nível de dedicação e abdicação necessárias, sem entender o que você vai encarar, dificilmente vai ser possível obter bons resultados. Posteriormente, aprenda a estudar, busque os métodos que você se adapte melhor, sempre se prendendo a premissas básicas de estudo, são elas que funcionam, e jamais se iluda com métodos “milagrosos”. Por fim, persevere, seja constante, seja regular e não pare até atingir seu objetivo.

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